O tempo seco que marcou o mês de abril em Guarapuava e região, já evidencia seus desdobramentos na agricultura. De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SEAB), que atende os 12 municípios da região central do Estado, mesmo que os números ainda não sejam concretos, tendo em vista que as colheitas não foram encerradas, a percepção e constatação de quebra já é notória.

No que se refere a produção de grãos, o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional de Guarapuava, Dirlei Antonio Manfio, reiterou a constatação de um cenário de prejuízo maior nas culturas de feijão e de milho da segunda safra.

Ainda de acordo com Manfio, mesmo sem números consolidados, os agricultores estão apreensivos com os resultados, considerando o período climático desfavorável dos últimos 40 dias. Em entrevista o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná, Samuel Braun, a ocorrência prolongado de massas quentes e secas na região reporta-se as condições de um fenômeno denominado veranico, muito comum em meses do outono e do inverno.

O registro de chuva de 32 mm no mês de abril, em Guarapuava foi significativamente menor – a média histórica mensal deste período é de 130 mm – do que o esperado. Além disso, segundo Manfio, esse número representa chuva localizada e não supre o déficit hídrico, afetando a produção regional.

“Tivemos o registro de pouca chuva nos últimos 40 dias e ainda, essa pequena ocorrência foi bastante localizada. Se tivéssemos uma ocorrência de chuva em maior volume, poderíamos ter alterações nesse cenário. E a angústia dos agricultores com os desdobramentos se intensifica a partir da ciência de que, mesmo que chova nos próximos dias, os danos já são irreversíveis para essa safra”, declarou.

Segundo o técnico do Deral, até o momento, aproximadamente, 30% do feijão da segunda safra foi colhido na região. A expectativa de produtividade inicial de 30 sacas por hectares apresentou uma queda expressiva. “Essa queda significativa só tende a aumentar, à medida que se avança nas colheitas, podendo perder até mais da metade da produção esperada”. Vale destacar que, no núcleo regional de Guarapuava, está incluído o município de Prudentópolis, um dos maiores produtores de feijão do Estado.

No que se refere a colheita do milho, Manfio pondera sobre possíveis destinos para os agricultores. “Possivelmente, o milho, em sua maioria, terá de ser usado para silagem, considerando que a expectativa de produção de grão não é viável. Para aqueles que plantaram em maiores proporções, o único seria realizar a colheita com baixa produtividade”.

Ainda como consequência, a seca de abril prejudica a produção de pastagens nas propriedades rurais. Sem chuva, o empobrecimento nutricional do pasto é evidenciado e a bovinocultura entra no quadro de prejudicados pelas condições climáticas. “Trata-se de um ciclo em que diversos segmentos do nosso setor acabam sendo afetados por fatores que fogem do nosso alcance”, ponderou. Além disso, os produtores não conseguem realizar também a semeadura de aveia e azevém, os quais servem para o pastoreio no inverno.