O filho que escondeu a morte do pai idoso aos familiares por quase cinco meses se apresentou na Delegacia de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, na manhã desta segunda-feira (23). O homem de 50 anos estava acompanhado de dois advogados, foi ouvido e liberado.

Ele confirmou que deixou o corpo do pai embaixo de um lençol, em cima da cama, por não saber de que forma contar aos irmãos e sobrinhos. A descoberta aconteceu na última quinta-feira (19) quando um dos netos de Shigefu Takahara, 93 anos, invadiu o quarto do idoso para saber o motivo de o tio não deixar familiares entrarem na casa.

Em depoimento oficial, o filho confessou que sabia que estava ocultando a morte do pai, mas alega que desconhecia os processos jurídicos que implicaria. Ele contou que teria encontrado o pai morto no dia 11 de dezembro, se desesperado e optado em não contar aos familiares. A aposentadoria do pai era recebida por ele, que continuou a sacar o benefício do INSS, embora sabendo que o pai estivesse morto.

As investigações devem apontar detalhes sobre uma fratura no crânio do idoso, descrita no exame de necrópsia. O filho disse que o pai tinha se envolvido em uma queda, três meses antes da morte. O fato deve ser investigado pelo IML (Instituto Médico-Legal) de Curitiba.

A defesa disse não haver nenhum crime nos atos cometidos pelo filho. “As medidas cabíveis já foram tomadas, não tem investigação, não tem crime. Tem clamor da mídia por resposta, mas não tem nada disso, não tem prisão”, disse a defesa.

Entretanto, Sérgio pode ser indiciado por ocultação de cadáver, fraude processual e também por estelionato. Por ter fraudado um sistema previdenciário social, o caso pode ser repassado à Polícia Federal.