Após a morte do marido, a vida de Vikie Shanks, de 59 anos, mãe de sete jovens, dos quais seis são autistas e um é disléxico, tornou-se ainda mais desafiadora. Para contornar as dificuldades, ela passou a escrever um blog, palestrar sobre o tema e se engajar com outras famílias que convivem com pessoas diagnósticadas com o transtorno do espectro autista, inspirando-as a continuar firmes na criação dos filhos, frisando que a condição neurológica não é o que os define.

“Uma pessoa com autismo deve viver em um mundo que foi preparado para pessoas ‘neurotípicas’, então não deveria ser uma surpresa que, estatisticamente, eles são mais propensos a experimentar problemas de saúde mental coexistentes”, afirma Vikie, cujos dois filhos mais novos têm paralisia cerebral, em entrevista à emissora britânica “ITV News Central”.

Com isso, autora nascida no Iêmen, na Península Arábica, fez referência a um estudo da Universidade de Coventry, no Reino Unido, que descobriu que dois terços dos adultos recém-diagnosticados com o TEA atentaram contra a própria vida. Mas para Shanks, esse dado não foi uma surpresa. Ela acredita que seu marido, Paul, que cometeu suicídio há 10 anos, também tinha o espectro, além de diversos distúrbios mentais.

Em seu blog, Shanks escreveu que os filhos eram ainda pequenos quando perderam o pai e, na época, não ficaram sabendo dos detalhes que levaram a sua morte.

“Autismo pode ser comparado a computadores, Windows versus Linus, mesmas máquinas; diferentes sistemas operacionais, nenhum é melhor do que o outro, é apenas sobre entender como cada um funciona” frisou Shanks, que nasceu em Aden, no Iêmen, mas mora atualmente em Warwickshire, na Inglaterra.

Shanks salientou que sempre a perguntam como ela conseguiu criar seus filhos sozinha após ficar viúva. Quando ela é questionada sobre isso, diz que “dormiu muito pouco” e que precisou de muita energia.

“Eu não ousava parar para sentar ou relaxar pelo medo de que nunca seria capaz de me levantar novamente!”, disse.

A escritora contou que aprendeu a desenvolver uma estratégia de não pensar muito no futuro, porque seria “assustador demais”.

“Sem família para contar e com apenas alguns poucos amigos próximos, todos os dias era um pesadelo logístico. E agora aqui estamos, com três dos mais novos atendendo escolas especiais e os outros indo para regulares”, afirmou Shanks.

Ela salientou ainda que as pessoas criam muitas expectativas com relação aos outros, incluindo seus filhos. No entanto, disse acreditar não ser preciso muito esforço para tornar as vidas deles menos estressantes.

“Tudo o que é necessário para conseguir isso é uma melhor compreensão, consciência e tolerância de suas diferenças”, contou.

Sua história, publicada no livro “Unravelled: The inspirational true story of a journey out of darkness” (Decifrada: A verdadeira história inspiradora de uma jornada para além da escuridão, em tradução livre), já foi inclusive abordada por ela em uma palestra no TEDx, com o tema: “Porque meus filhos autistas não precisam de uma ‘cura'”.

“Se o seu filho tem o espectro autista, por favor, converse sobre isso com ele. Ajude-o a entender que o autismo dele não o define”, completou Shanks.

Dos sete filhos de Vikie, seis têm Transtorno do Espectro Autista (TEA) Foto: Facebook/Reprodução