“De todas as vezes que fui agredida essa foi a que mais me doeu. Cada vez que ouvia e sentia meu cabelo sendo cortado para ali ser feita a sutura me doía como nunca! Bem baixinho, eu implorei pra que meu pai estivesse ali comigo. Infelizmente, de corpo não podia estar, mas como sempre eu sentia que ele segurava minha mão. Sabe aquele sentimento de raiva e tristeza ao mesmo tempo? Eu senti isso a cada vez que a agulha passava pelo meu couro. Essa foi só mais uma vez que meu irmão me bateu”.

Este é o relato de Maria (nome fictício), uma jovem de apenas 22 anos, que tem menos de um metro e meio de altura, e praticamente indefesa nas agressões de seu irmão de 36 anos.

Ele bateu em Maria com uma garrafinha de água congelada. Foram 12 pontos na cabeça, uma luxação na mão esquerda e um dedo fora do lugar, da mão direita. Tudo isso justamente no Dia Internacional da Não-violência Contra a Mulher, no último sábado (25). Esta não é à primeira vez que Maria apanha de seu irmão, porém esta foi a que lhe deixou com mais marcas, tanto físicas como na alma.

Tudo começou quando Maria perdeu o pai, há um ano e oito meses. “Depois disso as coisas mudaram muito na minha casa”. Foi daí em diante que Maria começou a sofrer as agressões do irmão. “Este mês já foi a terceira vez que isso aconteceu. Todas as vezes foram por motivos banais como, por exemplo, “onde que pensa que vai sair”; “suas amigas são um bando de biscates”.

O medo e a dor são tantas, que Maria pediu uma medida protetiva. “Não se calem diante de agressão nenhuma, pois algumas cicatrizes ficaram na alma!”

Maria publicou uma mensagem nas redes sociais contando o que havia acontecido com ela, incentivando outras mulheres a denunciar seus agressores. Seu post já teve mais de trezentas reações e muitos comentários de apoio a ela.