Dois dias após o administrador do Hospital Santa Tereza, Newton Elias Gonçalves, ter declarado publicamente que a instituição não têm condições de continuar em funcionamento sem mais ajuda financeira externa, o futuro de um dos principais hospitais da região de Guarapuava segue uma incógnita. A declaração de Newton, validada pelo presidente do hospital, Frederico Eduardo W. Virmond, foi dada em sessão pública realizada na Câmara de Vereadores na última terça feira (5). Devido à crise, médicos já começaram a se desligar da instituição.

Até o fechamento desta matéria (16h54), o Governo do Estado, que realiza repasses públicos para a instituição filantrópica, ainda não havia se manifestado publicamente sobre o caso. A Prefeitura de Guarapuava também não se pronunciou publicamente a respeito. Apesar de administração municipal não ter obrigação de realizar repasses ao hospital, um eventual fechamento do Santa Tereza representaria um verdadeiro caos na saúde do município e, também, de pelo menos outras 25 cidades que compõe a macrorregião do terceiro planalto e que são cobertas pelo HST. Com a oficialização do fechamento, apenas o Hospital São Vicente de Paulo precisaria atender um universo composto por mais de 500 mil pessoas.

TENTATIVAS

Na sessão onde a diretoria do Santa Tereza expôs a crise econômica da instituição, vereadores de Guarapuava manifestaram interesse em tentar ajudar o hospital, porém, não há base legal para que a Casa de Leis realize qualquer tipo de repasse para a instituição. Para tentar encontrar uma solução para o impasse, foi realizada uma reunião ontem (6) com a promotora Laryssa Camargo Honorato Santos, da 7ª Promotoria. Contudo, de acordo com informações da assessoria de comunicação do HST, nenhuma solução efetiva foi encontrada.

A CRISE

A crise financeira do Santa Tereza veio à tona em abril deste ano, quando médicos da instituição sinalizaram a possibilidade de realizarem um desligamento em massa da instituição caso a folha de pagamento do corpo clínico não fosse regularizada. Na época, uma solução paliativa foi apresentada, porém, menos de dois meses depois, o problema voltou a pauta pública. A dívida total era de R$ 1,6 milhão.

Ainda em abril, como possível solução para o impasse, o hospital contou com o adiantamento do recurso de R$ 800 mil, liberado Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA), através do Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade (MAC). O montante foi utilizado para quitar metade da dívida com os médicos.

“O hospital recebeu 800 mil do Estado para quitar metade da dívida com o corpo clínico, em abril. Mas este valor foi apenas um adiantamento de recursos através da Secretaria de Saúde do Estado. Este valor não aumenta a nossa receita. Ele está sendo descontado em 10 parcelas de R$ 80 mil”, explicou Newton.

Para tentar dar uma sobrevida ao hospital, o Governo do Estado liberou, na época, um recurso de R$ 300 mil para a implantação e manutenção do ambulatório de ortopedia no hospital. Deste valor, porém, o hospital gastará R$ 270 mil só para manter o ambulatório, restando uma receita de apenas R$ 30 mil.