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"Tem ódio mortal de mim": advogada relatou à amiga que tinha medo

01 de agosto de 2018
A defesa da família da advogada Tatiane Spitzner, que morreu ao cair do quarto andar de um prédio no dia 22 de julho, no Centro de Guarapuava, anexou nesta terça-feira (31) diversos prints de conversas entre Tatiane e uma amiga ao processo. No material apresentado, a advogada relata ter medo do marido, o professor Luís Felipe Manvailer, indiciado por homicídio qualificado e feminicídio pela morte de Tatiane, também nesta terça-feira. O material anexado traz diversos posts de Manvailer em uma rede social, que confirmariam o caráter agressivo e misógino do professor, suspeito de ter jogado a esposa do quarto andar do prédio em que moravam após uma briga. Além das publicações, o anexo traz também prints de conversas entre Tatiane e uma amiga próxima, registradas entre março e junho de 2018. Nas mensagens, a advogada conta à amiga que possuía “um divórcio em andamento” e que “não conhece a pessoa que tem do seu lado”. Além disso, Tatiane relata que não estava mais conversando com Manvailer direito, pois o marido a “humilhava sem ter feito nada”, e que “não podia abrir a boca que era criticada, cortada”. Em uma das discussões envolvendo o marido e confidenciadas à amiga, a advogada explica que só faltava coragem para encarar um divórcio. “Grosseiro, estúpido, falou que tem ódio mortal de mim, que não sabe quando essa raiva vai passar, que não quer nem falar comigo. Só quer paz e que eu não encha o saco. Só tem um detalhe... eu nem vejo ele, sequer conversamos, eu trabalho manhã e tarde, e ele à noite”, diz o desabafo. Em determinado momento, a amiga demonstra preocupação e aconselha Tatiane a pensar no que quer para a vida. “Queria ele sem dar em cima de ninguém, sem me maltratar. Mas pedir o simples é muito”, afirma a advogada, classificando a relação como “o inferno na Terra”. Os trechos anexados ao processo, de acordo com a defesa da família, integram o pedido de manutenção da prisão preventiva de Manvailer. “A hipótese de sua liberdade durante as investigações ou a colheita judicial da prova gera temor em familiares de Tatiane e possivelmente em testemunhas do caso, restando evidenciada a necessidade de manutenção da sua prisão”, afirma o pedido. A defesa de Luís Felipe Manvailer se manifestou por meio de uma petição de caráter emergencial, onde afirma que os prints anexados estão fora de contexto e, que em determinados momentos, “não se tem garantia, sequer, se os interlocutores estão realmente se referindo a Luís Felipe, quando aludem a ‘ele’”. Indiciado Nesta terça-feira, a Polícia Civil de Guarapuava indiciou Manvailer por homicídio qualificado e feminicídio – quando o crime é motivado em razão de gênero, ou seja, pela “condição” de ser mulher. O professor também foi indiciado pelo artigo 347 do código penal por retirar o corpo do local e apagar as manchas e marcas de sangue existentes no local do crime, além de ser indiciado pelo furto do veículo que pertencia a vítima. De acordo com a Polícia Civil, as câmaras de segurança mostram agressão brutal de Luís Felipe em sua esposa na garagem do prédio. O inquérito finalizado foi encaminhado para a Justiça e ficará sob análise do Ministério Público.
PB Agência Web