SAÚDE

Infectologistas alertam para falta de comprovação sobre uso da cloroquina

21 de maio de 2020

Infectologistas contestam a decisão do governo federal de liberar a cloroquina e a hidroxicloroquina para pacientes com sintomas leves da Covid-19.



A presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia do Rio de Janeiro, Tania Vergara, lembrou que não existe comprovação científica de que os remédios possam curar a doença e afirmou que eles podem apresentar efeitos colaterais e que, por isso, não devem ser usados de forma indiscriminada.


“Porque senão fizermos assim, não teremos respostas. Então vai ser assim, se um indivíduo melhorou, melhorou por causa da cloroquina, embora ele tenha 80% de chance de melhorar sozinho. Se ele não melhorou, é porque a doença é grave e pode evoluir para morte.”


O secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, disse que o governo não está recomendando o uso sem controle dos remédios. De acordo com ele, o novo protocolo apenas orienta sobre o uso dos medicamentos.


“Eu creio que o documento como está, ele não está trazendo nada grave, não está sugerindo ou recomendando o uso desse medicamento para profilaxia, essa era uma preocupação que todos tinham. Então não há recomendação fora de uma decisão de um médico assistente.”


No protocolo divulgado na quarta-feira (20), o governo afirmou ainda que é necessário que o paciente assine um termo de consentimento para fazer uso da cloroquina e da hidroxicloroquina. O advogado Léo Rosenbaum, especialista na área da Saúde, diz que esse documento é comum nesses casos em que os medicamentos ainda não têm eficácia comprovada.


“Ele está alertando o paciente que sim, ele corre risco de vida e que existem efeitos colaterais adversos e ainda uma eficácia não comprovada. Isso está escrito em letras claras no documento, justamente para isentar de responsabilidade o médico que vai ministrar esse tratamento.”


*Com informações da repórter Nicole Fusco


PB Agência Web