SAÚDE

Depressão pós-parto: quando procurar ajuda?

26 de setembro de 2020

Depois de 40 semanas cheias de mudanças no corpo, planos e expectativas, a chegada de um bebê à rotina nem sempre sai como o planejado. No lugar da alegria, um misto de tristeza e nostalgia: a barriga foi embora e agora é preciso amamentar, trocar fraldas e atender um bebê que chora sem motivo aparente. A sensação é tão comum que tem nome próprio, o baby blues. "A partir da primeira semana após o parto é normal que um sentimento de tristeza e desânimo acometa as novas mamães. O estado de baby blues pode atingir em torno de 80% das mulheres", explica Bruna Cristina Silva Bastos (CRP 08-23617), psicóloga da Unidade Materno Infantil da Clinipam.


Ainda que seja recorrente, o baby blues merece atenção. Quando demora a passar, pode dar origem a um quadro mais grave: a depressão pós-parto. A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada quatro mães sofra com o transtorno depois da chegada do bebê. Estudos internacionais apontam que entre 10% e 20% das puérperas são acometidas pela doença que, entre diversos riscos, compromete o bem-estar da mãe e do bebê. "Os sintomas são mais intensos do que no baby blues, a mãe se sente incapaz de cuidar do filho. Há alterações de humor e do apetite, que podem interferir na amamentação", exemplifica Bruna.


Sinais de alerta


Quando a melancolia do baby blues perdura por muitas semanas, o primeiro passo é procurar ajuda. De acordo com um estudo publicado no Maternal and Child Health Journal, apenas uma em cada cinco mulheres busca auxílio quando apresenta os sintomas de depressão pós-parto. A falta de informação sobre o assunto e a própria indisposição física da paciente estão entre os fatores que tornam difícil relatar o problema.


A psicóloga da Clinipam alerta sobre os sintomas que servem de alerta: "são muitos e variam de acordo com a gravidade do caso. As mulheres experimentam longos períodos de tristeza, irritabilidade, mudanças bruscas de humor e sentimento de culpa. Fisicamente, os sintomas são o choro incontrolável, a insônia, a alteração no apetite e a fadiga extrema", detalha Bruna Bastos. Ao encontrar apoio, a tendência é que os sintomas diminuam gradativamente e a depressão pode ser resolvida com tratamento psicológico e medicamentoso, dependendo da evolução da paciente.


Apoio para pacientes com depressão pós-parto


Na Unidade Materno Infantil da Clinipam, o apoio multidisciplinar do programa Gestante Bem Cuidada se estende após o parto. Mamães que estão sofrendo com tristeza prolongada depois do parto recebem atendimento individualizado e o tratamento começa com o diagnóstico. "Para tratar a depressão pós-parto é necessário realizar um processo de psicoeducação com a paciente e sua família, psicoterapia com psicólogo especialista e fazer acompanhamento psiquiátrico", comenta a psicóloga da Clinipam.


Sob a orientação de médicos, enfermeiros e psicólogos, as puérperas têm acesso a grupos terapêuticos - conversar com outras mulheres em situação parecida pode ser um alívio e, junto com o apoio familiar, garante o sucesso do tratamento. Isso porque a doença não tem uma só origem, explica Bruna.


"É multifatorial, ou seja, engloba fatores físicos e emocionais. Entre os principais fatores de risco estão a mudança hormonal, depressão antes ou durante a gestação e a falta de suporte familiar ou do parceiro", destaca.


Condição mais rara e igualmente preocupante é a psicose pós-parto. Apesar de acometer apenas 0,2% das pacientes, o quadro é bastante sério. "Nessa condição as pacientes podem ter delírios, alucinações, ruptura com a realidade e confusão. É um transtorno psíquico pós-parto bastante grave: a mãe pode ter o sentimento de que não ama o bebê e, em alguns casos, ideias de ferir a criança ou a si mesma", alerta a psicóloga da Clinipam. O tratamento para todas as doenças - da depressão à psicose pós-parto passa, obrigatoriamente, pelo consultório de um psiquiatra. O uso de medicamentos antidepressivos é ajustado de acordo com o perfil de saúde da paciente e tem como objetivo tirá-la do quadro depressivo, promovendo melhora dos sintomas e restaurando o equilíbrio familiar.


Direção Clinipam:


Dr. Gilton Guilgen: CRM 6838
Dr. Cadri Massuda: CRM 6310

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